Genesis, Capitulo 4, versiculos 8 a 15.
"8 Falou Caim com o seu irmão Abel. E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o seu irmão Abel, e o matou.
9 Perguntou, pois, o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Respondeu ele: Não sei; sou eu o guarda do meu irmão?
10 E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra.
11 Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue de teu irmão.
12 Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.
13 Então disse Caim ao Senhor: É maior a minha punição do que a que eu possa suportar.
14 Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á.
15 O Senhor, porém, lhe disse: Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse."
Capitulo 1
Nova York,
Novembro de 2012
Amanda o seguiu, mesmo se sentindo meio fora do lugar. Ele a puxava pela mao, a mao dele grossa, branca, cheia de cicatrizes e arranhoes. A mao dele segurava na dela como uma cobra, e a unica coisa que ela conseguia fazer era andar, e ela queria segui-lo. Ele era alto, com certeza com mais de 2 metros de altura, de ombros largos, com cabelos negros e longos ate a cintura, um cabelo engomado e sujo, nojento a qualquer um, sua cara era branca e palida, seus olhos negros fundos na sua face.
Ela notou que quando ele a puxava, os outros na rua apenas olhavam pra eles brevemente e ja disfarçavam, como se o ato de deixar de olhar pudesse de alguma forma fazer aquele homem medonho sair da mente deles. Talvez era a neve que caia naquela noite, talvez era a frieza de coraçao desses habitantes de Nova York, mas os dois andavam na rua como se fossem quase invisiveis.
A noite estava fria, e o homen que a levava estava puxando com urgencia, olhando sobre seus hombros largos de tempo em tempo, como se ele pensasse que estava sendo seguido. Ela olhava pra tras e nao via nada. Foi entao que ele fez uma curva e começou a caminhar em direçao a uma boate tecno, furando a fila ate a porta. Os as pessoas da fila se viravam pra xingar quem os estava empurrando pro lado, mas logo que viam a cara do homem, ja se silenciavam e davam brecha.
O homem andava como um tanque, com o seu sobretudo negro e rasgado, seu jeans esfolado e seu cuturno velho e desbotado. Amanda estava com sua roupa de sempre, uma sainha de couro apertadinha dois palmos acima do joelho, uma meia calça negra e sapatos vermelhos, e uma jaqueta de pelo de chinchila falsa, cinza e mais ou menos inteira. A vida de uma prostituda nao era facil, e com 3 filhos pequenos pra criar e um vicio em pedra pra cultivar, ela nao gastava muito em roupa. Alem disso os clientes dela queriam o que estava debaixo das roupas dela, e a garota da noite de apenas 32 anos, ex professora de prezinho desempregada, fazia yoga religiosamente e o unicos cabelos no seu corpo era seu cabelo louro e falso, e suas sombrancelhas.
Os seguranças olharam um pra cara do outro, e para a cara do homem, e o deixaram passar, Amanda sorriu, mostrando os seus dentes perfeitos, meio amarelados pelo uso da pedra, se sentindo importante porque o homem que estava com ela era obviamente alguem importante. Era a terceira noite que ela passou com esse homem, e ela nao sabia o seu nome. Ele nao falava muito, nem dentro nem fora do quarto, mas na hora de possuir o seu corpo, ele a tratava como um objeto e fazia com ela o que ele queria, e ela gostava disso. Ela se sentia atraida a ele, apesar da sua aparencia e ela nao sabia porque, talvez era sua cara e seu jeito, como se fosse um barbaro antigo, bruto e selvagem. Por horas durante a noite depois do sexo, ele passava um liquido meio rosado nas suas partes intimas, esse liquido ardia um pouco, mas ele se deliciava lambendo cada centrimetro do corpo dela, deixando marcas dos seus dentes e labios, lambendo o liquido todo.
O homem ainda olhava sobre seus ombros mesmo dentro da boate, e na segunda vez que ela tambem olhou ela viu um grupo de pessoas entrando pela porta, com certeza em busca de alguem. Dois homens e duas mulheres, bem vestidos e jovens, olhavam para o povo dançando e se divertindo. Foi nesse momento que o homem a prensou contra uma parede, e começou a beija-la profundamente, enfiando a sua longa lingua dentro de sua boca. A lingua dele tinha um gosto estranho...de sangue ou algo com gosto de ferro, extranho. Ela deixou escapar um suspiro, quando ele apertou os piercings que ele mesmo botou nos seios dela...nunca ninguem tinha feito nada disso com seu corpo, mas com ele, ja na segunda noite ela nao conseguia dizer nao.
Somente quando ele parou de beijala que ela se deu conta do que estava acontecendo...os quatro da porta estavam em volta dela e dele, os quatro tao palidos quanto o homem que estava com ela. Eles estavam em silencio, e o homem que a beijava virou para um e perguntou:
"O que voces querem dessa vez?" Ele disse com uma voz cheia de rancor e desprezo, feral...um rosnado, mais bestial do que humano. O som da voz dele fez o coraçao dela acelerar de medo, e ela começou a sentir medo dele pela primeira vez.
"O Gabriel quer te ver. Disse que tem algo muito importante para discutir com voce" Disse uma mulher asiatica, magra e palida, com labios vermelhos e com olhos negros que secavam Amanda com desprezo e nojo.
"Vai pro infeno, eu ja falei que nao quero trabalhar pra voces" Disse ele com a mesma voz, e seus olhos arranhavam os quatro ao lado dele, com odio e raiva.
"Se voce nao vier de bom grado...senhor...a gente te leva a força" Disse um dos homens, um magro alemao com uma cara de fresco, usando oculos escuros no meio da boate.
O homen começou a rir, as luzes da boate brilhando o seu cabelo engomado. Amanda, com seu coraçao acelerado, seus instintos dizendo a ela para que sumisse dali naquele instante. Ela tentou sair de mansinho, mas o homem a empurrou contra a parede, e balançou a cabeça, dizendo nao. Ela estava respirando mais depressa agora, seu coraçao martelando contra seu peito, medo tomando controle da sua mente. Os quatro deram um passo pra frente, chegando mais perto deles, Amanda botou suas maos no homem que foi sua compania nos ultimos 3 dias, buscando proteçao. Ele olhou pra ela com um olhar que pedia para que ela o desculpasse, mas ele nao falou nada. Ela ficou perdida naquele olhar por um instante, sentindo seu coraçao se acalmar. Foi quando ela percebeu, como se fosse camera lenta, que o homem tirou debaixo de seu sobretudo, uma doze de cano duplo, cano cerrado, e levantou a arma ate debaixo do queixo dela. Terror e medo a congelaram, e suas palavras se afogaram na sua garganta, somente os olhos dela mostravam o quao desesperada ela estava. Os quatro pararam de fechar o cerco, e ele olhou pra mulher asiatica, e depois para Amanda.
"Deixa ela ir, ela nao tem nada a ver com isso. Voce vai atrair atençao, o Gabriel nao vai gostar" Disse a mulher ruiva, linda, com um vestido elegante azul escuro. A beleza dela quase fez Amanda esquecer que estava com uma escopeta embaixo de seu queixo.
"Por favor, eu tenho tres filhos, eu fiz tudo o que voce quis, me deixa ir, eu vou esquecer voce e tudo isso, so me deixa ir por favor" Amanda suplicava com uma voz enxarcada de medo, lagrimas corriam e manchavam sua maquiagem barata.
"Eu vou deixar voce ir...Adeus Amanda" Disse o homem, seu rosto sem emoçao. Amanda sentiu a escopeta mexer lentamente sob seu queixo, e derrepente uma cortina de sangue cegou seus olhos, e por um breve instante seus olhos viram o teto baixar sobre sua cabeça, e essa foi a ultima coisa que Amanda viu em sua vida.
O estouro da escopeta de cano duplo causou um tumulto dentro da boate, a cabeça de Amanda explodindo completamente, espalhando seu cerebro e seu cabelo loiro e falso sobre a parede e atingindo luzes no teto, manchando com sangue uma boa parte da parede aonde estava. Seu corpo caiu de joelhos no chao, e seu torso bateu no piso da boate como um saco carne, se esparramando e jorrando sangue. Panico e terror dominou a boate imediatamente, e pessoas começaram a correr por todas as direçoes, desespero fazendo com que as pessoas se atropelassem ate a porta.
O homem que estava com Amanda, e os quatro que os cercavam, desapareceram dentro da multidao.

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